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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

The book is on the table

     Depois do último post, passei quarenta dias e quarenta noites já de férias. Mas não foi porque eu quis. Eu tentava escrever, mas não saia nada. Nada mesmo. Ontem, na hora da insônia, comecei a rabiscar e eu acho que saiu alguma coisa. Quanto aos textos passados, fiquei pensando se meu texto parece de redação. Sou muito formal? Linguagem muito técnica? Confesso que essa não entendi. Eu acho que quando escrevo, penso em quem vai ler, mas não acho que isso não me prejudica de carimbar minha personalidade no conteúdo. Mas vamos lá.

     Se tem uma coisa que sempre me deixou fascinado é o Inglês. Eu me lembro perfeitamente da "Tia Mara", na 1º série, ensinando pros pirralhos as cores, objetos e números. Eu ficava em êxtase cada vez que decorava um novo substantivo. Nas quartas-feiras, a professora nos levava pra sala de mídia e assistíamos vídeos em cassete, aprendendo músicas. Era muito bom.

     "My house is red, my school is green. Oh, my school is green..."
     "Rainbow, seven colors rainbow... Rainbow red, rainbow blue, rainbow, rainbow..."

     Cresci, e não fiz o bendito curso de Inglês. Na época, em Santarém só tinha duas escolas: Cultura Inglesa e CCAA, e era o olho da cara, só os filhos de barão, mesmo, que estudam. Pra falar a verdade, ainda é o olho da cara, porque realmente eles ensinam muito bem (eu acho). Mas fui aprendendo na escola, do jeito que dava, de acordo com a boa vontade do professor. Alguns ensinaram muito bem, consegui absorver alguma coisa.

     Lembro do professor Diógenes, na 7º série. Esse ano sim, foi quando eu mais aprendi. Ele valorizava o ouvir, o entender. Levava músicas do Green Day, Mariah Carey, e o desafio era encontrar certas palavras durante a execução da canção. Ele fez o Chalenge Cup, dividiu equipes dentro da sala de aula e a competição corria durante o semestre. Meu grupo ganhou na primeira vez! Uhuuu! Uma caixa de chocolate pra dividir entre 5. Prêmio simples, tudo bem, porém mais importante era ter ganhado. Já estava tudo prometido pra brincadeira continuar na 8º série. Até começamos a disputa, eu até estava perdendo pro grupo do Daniel, só por causa de uma palavra que não sabia. Me lembro como se fosse ontem. O professor pediu pra eu construir uma frase com a expressão "take a shower" e eu não pude. O desgraçado do Daniel Desesperado estava em primeiro lugar. Pro azar da turma, o professor saiu. Foi dar aula de matemática. Nada a ver, não? Foi triste acabar com o jogo.

     O que me matou, mesmo, foi ter aprendido somente a ler e escrever o Inglês. Eu nem tinha me tocado disso. A gente aprende a pronúncia, mas é meio descontextualizado. Geralmente são palavras soltas, ou sei lá. Fui perceber que não sabia porcaria nenhuma depois que eu comecei a ouvir músicas, e a decepção bateu. Palavras conhecidas que ficam misturadas e eu não entendo. É, né? Fazer o que?

     Meu pai começou a estudar Inglês já adulto, e eu me motivava a vê-lo falando. Ele era o meu herói e nem sabia. Me ajudava nos exercícios da disciplina, eu ficava fascinado. Me levava às aulas na UEPa e eu ficava tentando aprender também. Minha mãe e minha irmã que acham graça quando me vêem falando sozinho, tentando aprender.

     Aprendi um pouco mais, também, no Omegle, um site que te coloca pra conversar com estranhos. Como a maioria é de fora, então dava pra praticar o aprendizado. Eita! Passava horas conhecendo gente da Índia, Reino Unido, Estados Unidos, Inglaterra... Virou baderna quando o site colocou a opção de conversar com webcam, aí os tarados invadiram e não prestou mais.

     Meus colegas da faculdade são filhinhos de papai (nojo) (mentira) e muitos já têm o Inglês ou estão terminando. O pior é que, se eu quiser um estágio decente, precisarei do diploma. E já agora pro início de 2012. Ou seja, próximo ano EU TENHO DE PELO MENOS COMEÇAR. Agora fica beleza, porque, pela minha grade curricular, minhas aulas começarão 14h e irão até 21h todos os dias. E eu ainda queria pegar algum Projeto de Iniciação Científica, ou outra coisa, sei lá. Vou ter de rebolar, matar, roubar, me prostit... Opa. Vou ter de dar meu jeito.

     Hoje em dia todo mundo sabe Inglês. Quero aprender logo pra começar outra língua. Quem sabe o alemão, já que as melhores escolas de Engenharia estão nesse país. Não custa sonhar. Rá.

     Um abraço pro Gabriel, Patrícia, Thaian, que são fluentes, quase trabalhando como intérpretes, e pro Bruno, que aprendeu sozinho.

domingo, 7 de novembro de 2010

Pensando bem...

     Bom, hoje foi o primeiro dia do blog e eu fiquei muito entusiasmado. Li e reli os textos e comentários e ficava morrendo de vergonha quando alguém elogiava. Confesso, não sei receber elogios. E nem críticas, porque fico tentando consertar tudo o que vejo. Mas é natural. Hoje meus dedos ficaram se coçando pra escrever de novo e eu não resisti. Relendo o texto, e escutando algumas críticas, eu percebi que perdi o foco em "Êxodo". Falei de vários assuntos e acabei não falando de nada. Mas isso ocorreu devido à minha pressa, meu fogo pra postar. Mesmo na hora de publicar, senti que estava faltando alguma coisa naquele filho que estava nascendo. Mas ele já veio ao mundo, e eu não vou, de jeito nenhum, excluí-lo. Eu vou ver o que faço. Se desmembro em outros posts ou se deixo como está. O que você me indica?

sábado, 6 de novembro de 2010

Êxodo


     Eu tenho que confessar duas coisas. A primeira é que estava me enganando quando disse no "Primeiro Post" que não iria escrever textos grandes, porque sinceramente não consigo. Por favor, me perdoem. As ideias vêm, e eu tento cortar algumas, mas elas insistem em continuar. Já que as maleditas insistem, quem sou eu para prendê-las? A segunda é que eu li e reli o primeiro texto e os comentários trocentas vezes! Sinceramente, muito obrigado aos que me incentivaram. E aos que ficaram calados, mas estão aqui de novo.
    
     Bom, eu sou de Santarém, a segunda maior cidade do estado do Pará. Apesar de ter mais de 300.000 habitantes, tem clima de cidade pequena. Lojas grandes somente no centro, escolas particulares também, poucos mas bons lugares para sair, entre outras características que me fizeram ser acostumado com a "quietude" e "simplicidade" das coisas. Pode ser que os santarenos discordem, mas é o meu ponto de vista desde que saí daí, no início desse ano. Não que Santarém seja uma cidade tediosa, de forma alguma. Me diverti pra caramba e tenho saudades da minha terrinha querida. Acampamentos, orla, praias, casas de amigos, tudo isso me faz querer voltar a cada férias. Vim pra Manaus com 17 anos para estudar Engenharia Química. Imagina a cabeça de um cidadão em transição nas fases da vida, que está deixando pai, mãe, noiva (papo), quarto, amigos; ou seja uma vida toda. E eu não percebi isso quando saí. Sim, que eu me toquei é óbvio, mas não senti o peso no início. Nunca tinha conhecido uma cidade grande, então tudo seria diferente. Me lembro muito bem dos últimos momentos que vivi "morando em casa". Meus últimos dias, meu último banho, eu saindo no táxi pra viajar, a cara da mamãe, minha irmã e minha vizinha Mary se despedindo ainda sem acreditar...
Vista de Santarém
 
Alter-do-chão (Santarém)


     Não vou dizer que minha adaptação foi difícil, porque não foi. Eu costumo me instalar muito bem nos ambientes que estou, e isso é até bom. Saí de casa no dia 08/03/2010 e hoje tenho exatamente 7 meses e 29 dias numa nova cidade. Cheguei numa madrugada chuvosa, quase no alvorecer, e vi as luzes daquela imensidão. Parece que tudo tinha um cheiro diferente, uma dimensão totalmente contrária da que eu vivia.

     (Herdei do meu avô, seu Ernesto Oliveira, a arte da observação. Não tem um mínimo detalhe que passe despercebido. A memória nem sempre funciona, mas pelo menos na hora eu pego no ar. Decorar datas, guardar cores e rostos sempre foi um dos passatempos favoritos.)

     Quando saí pela primeira vez, observava atentamente o movimento das pessoas, e ficava imaginando "como é que elas conseguem viver numa cidade grande?" Imaginava-as no seu trabalho, pegando ônibus, conversando uma com as outras, e me questionava da facilidade com que faziam isso. Eu pensava que nunca conseguiria aprender nome de ruas, direções a tomar, bairros próximos ou ter a noção de distância de nada. É impressionante como a gente pensa, antes de realmente saber andar pela cidade, que tudo é mais longe do que parece. Minha primeira memorização foi o nome da Avenida Tefé, no bairro Japiim I, porque fica próximo da casa da minha prima. Ah, ela, a Janey, e sua família me apoiaram totamente nesse período que eu estive com eles. Sinceramente, tudo se complicaria e a minha deslocação e processo de adaptação se tornaria muito mais difícil. Morei 2 meses com eles e sou muito grato. Fui apresentado a verdadeiros amigos e inserido em uma comunidade onde consegui me enturmar.


     Só descobri que meu curso era novo na Universidade porque, quando fui procurar a comunidade no Orkut, percebi que era recém-criada. Lá estavam sendo dadas as boas-vindas pelos próprios calouros, e uma tentativa de familiarização. E até deu um pouco certo. Mesmo dias antes de começarem as aulas, já conhecia alguns dos meus colegas e já conversava com eles. Me apresentei, disse de onde era, e eles foram muito legais. O meu primeiro dia como universitário chegou e eu estava ansioso pra conhecer melhor o campus e os futuros engenheiros que se formariam comigo. A gente tinha marcado pra se encontrar na primeira parada dentro da universidade e não os reconheci quando cheguei. Pareciam veteranos e nunca imaginei que eles seriam os mesmos que estudariam comigo. Eu estava com uma blusa azul, e a primeira pessoa que falei foi o Josué, vindo diretamente do Ceará. Me juntei ao grupo e a conversa parecia fluir. Fomos conhecer melhor a nossa faculdade, e depois comer na área do curso de Direito.




     Hoje já conheço um pouco de Manaus, já posso arriscar nome das principais ruas, quais bairros são longe de casa, direções a seguir. Sei que não me perco. Qualquer coisa é só pegar um ônibus, ir para o terminal 2 e de lá já estou em casa. Aqui é uma cidade com pessoas que não ligam muito para os outros, que pouco se importam com o que vão pensar delas. Isso, claro, é só uma média dos meus profundos estudos e estatísticas (agora é a vez dos manauaras discordarem). Não amo essa cidade, mas estou muito bem, obrigado, aqui. Já me sinto instalado, e sou muito grato a todas as oportunidades que essa terra vai me dar. Não pretendo voltar pra Santarém. Ainda acho que não encontrei o meu lugar pra eu me estabelecer. Provavelmente esse lugar não é Manaus, também. Sonho com o dia onde serei "completamente" independente e, talvez, realizado. E aí, vamos nessa juntos?

Primeiro Post


     Antes de mais nada, só queria dizer que não pretendo escrever posts grandes como esse. Mas esse é um post especial. Acho que vale a pena ler até o final. Mesmo que demore dias. Por que não?



     Sempre tive vontade de escrever um blog. Mas desde o ano passado, quando meu amigo Clóvis André tinha o dele e ficava me atormentando pra eu ler seus posts, essa vontade aumentou. Aliás, foi nessa época que eu criei esse aqui, mas nunca tinha publicado nada. Já ontem, eu estava lendo uns textos de um amigo e resolvi que, finalmente, essas "páginas" não ficariam mais em branco.


     Mas o que eu vou postar aqui? Não sei. Mas com certeza você não lerá nada sobre religião, moda e sexo. Vou usar esse espaço pra guardar alguns textos meus. Não estou nem um pouco preocupado com número de acessos, essas coisas. Eu sei que meus amigos vão ler, os que eu encher o saco pra entrar, e alguns que cairão aqui, talvez sem querer.


     Umas das minhas maiores preocupações de antigamente era sobre o que escreveria. Qualquer coisa que me vinha na cabeça era negada na mesma hora. Sempre achei insuficiente. Mas era porque eu me preocupava à toa. Vou escrever o que der na telha, o que achar interessante. Antes mesmo de eu escrever o primeiro post, e depois de ter decidido que ele finalmente "estrearia", passou um milhão de assuntos para eu falar. Mas eu me acalmei e tentei escolher o primeiro. Não tinha nada a ver com esse aqui, mas tudo bem.


     Agora lembrei que era pra eu estar morto! E da pior forma possível. Geralmente, quando as pessoas são questionadas, elas respondem que não queriam morrer afogadas ou queimadas. Se eu fosse agora apenas uma lembrança na cabeça da minha mãe, teria morrido sem ar. Engasgado. E quando eu lembro da história que a Dona Tânia sempre contou, eu imagino como seria o mundo se eu não existisse. Minha irmã seria fiha única e provavelmente seria muito mais mimada do que já é, haja vista que é caçula, e que provavelmente teria o triplo da superproteção que meus pais dão. E se eu estivesse morto, vocês não estariam lendo agora este blog (óbvio). É impressionante como pequenas escolhas afetam nossas vidas drasticamente mesmo depois que passa muito, muito tempo. E foi uma pequena escolha que hoje me permite estar vivo. Quer saber como foi?


     Mesmo que não queira, continue lendo! Você fará uma pessoa mais feliz (no caso eu) e sua alma será levada diretamente para o céu. Feche seus olhos e se imagine há 17 anos atrás, em uma casa onde se encontra um lindo menino. Quando eu digo lindo, quero dizer lindo de verdade (obrigado). Nessa casa também está a sua mãe e mais uma secretária do lar. Eu já mencionei que o bebê era lindo? Pois é. No dia anterior, havia acontecido uma festinha de aniversário e a criança foi, e todo pongó ficou fascinado com os carrinhos que ganhou. Conhece aqueles carrinhos, não? De plástico, pequenininhos... Que vêm nas sacolas como brindes junto com trocentos bombons que só fazem mal... Pois é esse. A criança passou o dia brincando e aprendendo a se divertir com pequenas besteiras (coisa que até hoje ainda faço) (opa, você ainda não sabe que esse sou eu, finge que esqueceu) .
A curiosidade foi aumentando e ela começou a destroçar o carrinho, desmontando as peças pra saber como era feito. E a bagunça ficava lá. Com o incentivo da mãe, a criança continuava entrando no seu mundo de descobertas.




     Mas quem diria que nesse dia tão alegre aconteceria uma coisa tão perturbadora? Adivinha. A criança estúpida engoliu UMA RODINHA DO CARRINHO. Só que, para o seu azar, a mãe (desnaturada) estava longe na hora, e não percebeu quando isso aconteceu. O garoto se desesperou e começou a se sufocar. O ar começou a faltar e ele nem podia chorar. Ele tentava de todas as formas respirar, mas o esforço era em vão. Não havia mais nada a ser feito, e a criança, inteligente como era, já sabia o que lhe esperava. Finalmente a mãe e a secretária chegaram e viram que ali quase jazia um pobre ser indefeso (cof cof).


     O desespero agora sim pôde ser percebido. Como loucas, as duas começaram a gritar, chorar, espernear, e sacudir o garoto que agora já estava quase moribundo. Nessas horas sabe-se que os vizinhos correm, e em menos de 1 minuto a casa já estava cheia de curiosos que só faziam olhar e sentir pena. Ajudar, mesmo, nenhum sabia como fazer. Parece que isso durou 2 horas. Para quem estava presenciando, cada segundo era medido com relógio grande.


     Aí está o maior mistério da vida. Seria coincidência? Uma senhora estava passando na rua no momento que ouviu os gritos de angústia, de súplica. E como havia muita gente na frente da casa, a curiosa resolveu parar para ver o que estava acontecendo. Quando observou a criança (linda) roxa, teve vontade de chorar junto com a mãe, pois ela, também sendo uma, imaginou o que estava passando pela cabeça da outra. Resolveu ser forte e ajudar, ao invés de apenas ver uma morte. Imaginou centenas de coisas que poderiam estar acontecendo, e, num pulo, agarrou a criança, colocou-a de cabeça pra baixo e enfiou seus longos dedos de compridas unhas goela abaixo. Depois de duas tentativas, finalmente ela pôde sentir que desobstruiu e se sentiu aliviada. Todos olharam para a estranha que estava com a mão ensanguentada e pensaram que ela teria acabado de vez com a vida do garoto. Mas ele chorou. E aquele choro soou como anjos cantando, anjos que traziam alívio e segurança. A mãe abraçou em lágrimas o seu bebê e o beijava sem cessar. Todos estavam espantados.


     Agora preciso compartihar uma coisa com vocês. Tenho certeza que não sabem (pois esqueceram na hora que eu pedi). Aquele bebê era eu. Minha história ilustra como pequenas escolhas mudam completamente a vida para sempre. Por quê? Porque aquela estranha não costumava passar por aquela rua. Ela voltava do trabalho e contou que "alguma coisa mandava ela ir por aquele caminho". E se aquela senhora não tivesse feito uma pequena escolha "insignificante", você hoje não me conheceria (uns bem que queriam que isso de fato acontecesse), e a história do mundo não seria a mesma. Imagine um momento que aconteceu entre eu e você. Imaginou? Ele não teria acontecido. Quando eu paro pra pensar isso, fico em estado de profunda reflexão, pois percebo que minhas escolhas mudam completamente o futuro. Espero que eu tenha aprendido uma lição. Saber escolher é fundamental. Pensar muito bem antes de fazer alguma coisa pode trazer consequencias irreparáveis, e às vezes trágicas, ou coisas muito boas que não esperávamos. Na vida a gente ainda opta por correr perigos desnecessários, mas pra quê?

Tânia Neves e eu