Depois do último post, passei quarenta dias e quarenta noites já de férias. Mas não foi porque eu quis. Eu tentava escrever, mas não saia nada. Nada mesmo. Ontem, na hora da insônia, comecei a rabiscar e eu acho que saiu alguma coisa. Quanto aos textos passados, fiquei pensando se meu texto parece de redação. Sou muito formal? Linguagem muito técnica? Confesso que essa não entendi. Eu acho que quando escrevo, penso em quem vai ler, mas não acho que isso não me prejudica de carimbar minha personalidade no conteúdo. Mas vamos lá.
Se tem uma coisa que sempre me deixou fascinado é o Inglês. Eu me lembro perfeitamente da "Tia Mara", na 1º série, ensinando pros pirralhos as cores, objetos e números. Eu ficava em êxtase cada vez que decorava um novo substantivo. Nas quartas-feiras, a professora nos levava pra sala de mídia e assistíamos vídeos em cassete, aprendendo músicas. Era muito bom.
"My house is red, my school is green. Oh, my school is green..."
"Rainbow, seven colors rainbow... Rainbow red, rainbow blue, rainbow, rainbow..."
"Rainbow, seven colors rainbow... Rainbow red, rainbow blue, rainbow, rainbow..."
Cresci, e não fiz o bendito curso de Inglês. Na época, em Santarém só tinha duas escolas: Cultura Inglesa e CCAA, e era o olho da cara, só os filhos de barão, mesmo, que estudam. Pra falar a verdade, ainda é o olho da cara, porque realmente eles ensinam muito bem (eu acho). Mas fui aprendendo na escola, do jeito que dava, de acordo com a boa vontade do professor. Alguns ensinaram muito bem, consegui absorver alguma coisa.
Lembro do professor Diógenes, na 7º série. Esse ano sim, foi quando eu mais aprendi. Ele valorizava o ouvir, o entender. Levava músicas do Green Day, Mariah Carey, e o desafio era encontrar certas palavras durante a execução da canção. Ele fez o Chalenge Cup, dividiu equipes dentro da sala de aula e a competição corria durante o semestre. Meu grupo ganhou na primeira vez! Uhuuu! Uma caixa de chocolate pra dividir entre 5. Prêmio simples, tudo bem, porém mais importante era ter ganhado. Já estava tudo prometido pra brincadeira continuar na 8º série. Até começamos a disputa, eu até estava perdendo pro grupo do Daniel, só por causa de uma palavra que não sabia. Me lembro como se fosse ontem. O professor pediu pra eu construir uma frase com a expressão "take a shower" e eu não pude. O desgraçado do Daniel Desesperado estava em primeiro lugar. Pro azar da turma, o professor saiu. Foi dar aula de matemática. Nada a ver, não? Foi triste acabar com o jogo.
O que me matou, mesmo, foi ter aprendido somente a ler e escrever o Inglês. Eu nem tinha me tocado disso. A gente aprende a pronúncia, mas é meio descontextualizado. Geralmente são palavras soltas, ou sei lá. Fui perceber que não sabia porcaria nenhuma depois que eu comecei a ouvir músicas, e a decepção bateu. Palavras conhecidas que ficam misturadas e eu não entendo. É, né? Fazer o que?
Meu pai começou a estudar Inglês já adulto, e eu me motivava a vê-lo falando. Ele era o meu herói e nem sabia. Me ajudava nos exercícios da disciplina, eu ficava fascinado. Me levava às aulas na UEPa e eu ficava tentando aprender também. Minha mãe e minha irmã que acham graça quando me vêem falando sozinho, tentando aprender.
Aprendi um pouco mais, também, no Omegle, um site que te coloca pra conversar com estranhos. Como a maioria é de fora, então dava pra praticar o aprendizado. Eita! Passava horas conhecendo gente da Índia, Reino Unido, Estados Unidos, Inglaterra... Virou baderna quando o site colocou a opção de conversar com webcam, aí os tarados invadiram e não prestou mais.
Meus colegas da faculdade são filhinhos de papai (nojo) (mentira) e muitos já têm o Inglês ou estão terminando. O pior é que, se eu quiser um estágio decente, precisarei do diploma. E já agora pro início de 2012. Ou seja, próximo ano EU TENHO DE PELO MENOS COMEÇAR. Agora fica beleza, porque, pela minha grade curricular, minhas aulas começarão 14h e irão até 21h todos os dias. E eu ainda queria pegar algum Projeto de Iniciação Científica, ou outra coisa, sei lá. Vou ter de rebolar, matar, roubar, me prostit... Opa. Vou ter de dar meu jeito.
Hoje em dia todo mundo sabe Inglês. Quero aprender logo pra começar outra língua. Quem sabe o alemão, já que as melhores escolas de Engenharia estão nesse país. Não custa sonhar. Rá.
Um abraço pro Gabriel, Patrícia, Thaian, que são fluentes, quase trabalhando como intérpretes, e pro Bruno, que aprendeu sozinho.
