Eu tenho que confessar duas coisas. A primeira é que estava me enganando quando disse no "Primeiro Post" que não iria escrever textos grandes, porque sinceramente não consigo. Por favor, me perdoem. As ideias vêm, e eu tento cortar algumas, mas elas insistem em continuar. Já que as maleditas insistem, quem sou eu para prendê-las? A segunda é que eu li e reli o primeiro texto e os comentários trocentas vezes! Sinceramente, muito obrigado aos que me incentivaram. E aos que ficaram calados, mas estão aqui de novo.
Bom, eu sou de Santarém, a segunda maior cidade do estado do Pará. Apesar de ter mais de 300.000 habitantes, tem clima de cidade pequena. Lojas grandes somente no centro, escolas particulares também, poucos mas bons lugares para sair, entre outras características que me fizeram ser acostumado com a "quietude" e "simplicidade" das coisas. Pode ser que os santarenos discordem, mas é o meu ponto de vista desde que saí daí, no início desse ano. Não que Santarém seja uma cidade tediosa, de forma alguma. Me diverti pra caramba e tenho saudades da minha terrinha querida. Acampamentos, orla, praias, casas de amigos, tudo isso me faz querer voltar a cada férias. Vim pra Manaus com 17 anos para estudar Engenharia Química. Imagina a cabeça de um cidadão em transição nas fases da vida, que está deixando pai, mãe, noiva (papo), quarto, amigos; ou seja uma vida toda. E eu não percebi isso quando saí. Sim, que eu me toquei é óbvio, mas não senti o peso no início. Nunca tinha conhecido uma cidade grande, então tudo seria diferente. Me lembro muito bem dos últimos momentos que vivi "morando em casa". Meus últimos dias, meu último banho, eu saindo no táxi pra viajar, a cara da mamãe, minha irmã e minha vizinha Mary se despedindo ainda sem acreditar...
| Vista de Santarém |
| Alter-do-chão (Santarém) |
Não vou dizer que minha adaptação foi difícil, porque não foi. Eu costumo me instalar muito bem nos ambientes que estou, e isso é até bom. Saí de casa no dia 08/03/2010 e hoje tenho exatamente 7 meses e 29 dias numa nova cidade. Cheguei numa madrugada chuvosa, quase no alvorecer, e vi as luzes daquela imensidão. Parece que tudo tinha um cheiro diferente, uma dimensão totalmente contrária da que eu vivia.
(Herdei do meu avô, seu Ernesto Oliveira, a arte da observação. Não tem um mínimo detalhe que passe despercebido. A memória nem sempre funciona, mas pelo menos na hora eu pego no ar. Decorar datas, guardar cores e rostos sempre foi um dos passatempos favoritos.)
Quando saí pela primeira vez, observava atentamente o movimento das pessoas, e ficava imaginando "como é que elas conseguem viver numa cidade grande?" Imaginava-as no seu trabalho, pegando ônibus, conversando uma com as outras, e me questionava da facilidade com que faziam isso. Eu pensava que nunca conseguiria aprender nome de ruas, direções a tomar, bairros próximos ou ter a noção de distância de nada. É impressionante como a gente pensa, antes de realmente saber andar pela cidade, que tudo é mais longe do que parece. Minha primeira memorização foi o nome da Avenida Tefé, no bairro Japiim I, porque fica próximo da casa da minha prima. Ah, ela, a Janey, e sua família me apoiaram totamente nesse período que eu estive com eles. Sinceramente, tudo se complicaria e a minha deslocação e processo de adaptação se tornaria muito mais difícil. Morei 2 meses com eles e sou muito grato. Fui apresentado a verdadeiros amigos e inserido em uma comunidade onde consegui me enturmar.
Só descobri que meu curso era novo na Universidade porque, quando fui procurar a comunidade no Orkut, percebi que era recém-criada. Lá estavam sendo dadas as boas-vindas pelos próprios calouros, e uma tentativa de familiarização. E até deu um pouco certo. Mesmo dias antes de começarem as aulas, já conhecia alguns dos meus colegas e já conversava com eles. Me apresentei, disse de onde era, e eles foram muito legais. O meu primeiro dia como universitário chegou e eu estava ansioso pra conhecer melhor o campus e os futuros engenheiros que se formariam comigo. A gente tinha marcado pra se encontrar na primeira parada dentro da universidade e não os reconheci quando cheguei. Pareciam veteranos e nunca imaginei que eles seriam os mesmos que estudariam comigo. Eu estava com uma blusa azul, e a primeira pessoa que falei foi o Josué, vindo diretamente do Ceará. Me juntei ao grupo e a conversa parecia fluir. Fomos conhecer melhor a nossa faculdade, e depois comer na área do curso de Direito.
Hoje já conheço um pouco de Manaus, já posso arriscar nome das principais ruas, quais bairros são longe de casa, direções a seguir. Sei que não me perco. Qualquer coisa é só pegar um ônibus, ir para o terminal 2 e de lá já estou em casa. Aqui é uma cidade com pessoas que não ligam muito para os outros, que pouco se importam com o que vão pensar delas. Isso, claro, é só uma média dos meus profundos estudos e estatísticas (agora é a vez dos manauaras discordarem). Não amo essa cidade, mas estou muito bem, obrigado, aqui. Já me sinto instalado, e sou muito grato a todas as oportunidades que essa terra vai me dar. Não pretendo voltar pra Santarém. Ainda acho que não encontrei o meu lugar pra eu me estabelecer. Provavelmente esse lugar não é Manaus, também. Sonho com o dia onde serei "completamente" independente e, talvez, realizado. E aí, vamos nessa juntos?
foi muito bom parabens posta mais valew
ResponderExcluirJONAS ALAFF
Segundo o IBGE, Santarém não tem mais de 300.000 habitantes, e muito menos é a segunda maior cidade do Pará.
ResponderExcluirMas tirando esses equívocos, fico muito feliz por tu estares correndo atrás dos teus objetivos e não querer mais voltar pra cá pra Santarém hahaha
Enfim, torço muito por ti, não seja só mais um no mundo, faça a diferença, e sonhe sempre alto!
Perseguição a Santarém a parte, mas essas fotos tão bonitas... Se eu não conhecesse a cidade até toparia morar olhando só as fotos hahaha
ResponderExcluirBelo post! Bom saber que você está feliz, vc é um ser humano de personalidade forte, torço pelo teu sucesso.
ResponderExcluirContinue estudando, vc vai longe! ôh loco meu!
Ancioso pelo próximo texto.
Thaian, I'm sorry! xD Eu não sabia que os dados de Santarém estavam desatualizados. :) Valeu, aí.
ResponderExcluirÉ um texto fofinho e bonitinho...
ResponderExcluirMe lembrei do inicio do ano, quando a galera da faculdade tava se conhecendo ainda... Olhando pra trás a gente percebe como o tempo passou, já vai fazer um ano de ufam!
Verdade. Vai fazer um ano na UFAM e olhando pra trás percebo que houve muitas mudanças. O tempo passa muito rápido! Agora só falta 8 períodos para nos formarmos! \o/
ResponderExcluirPoxa! Tu deixou tua noiva? Que história triste rs Obrigada por me deixar menos preocupada, do jeito que as coisas estão indo, acredito que vou morar um tempo aí também. Qualquer coisa eu corro atrás de ti... rs
ResponderExcluirSinceramente, estou feliz por você estar conseguindo se realizar, torço muito por você, porque sei que você pode!!!
Não é fácil mudar de cidade e "deixar" toda uma vida para trás. Sou grata a Deus, pois sua adaptação foi bem rápida. Tenho certeza que nada está sendo em vão... Você irá se formar e se tornar um excelente engenheiro químico e aew vaai poder encontrar um lugar pra se estabelecer!!
ResponderExcluirQue o sucesso te acompanhee amigÔo!
Te amô